Por uma política de microintervenções urbanas nas cidades

O Parklet materializou  a discussão inicial sobre o uso do espaço público

No final de  2012, junto com outros parceiros, propomos uma microintervenção urbana na cidade  de São Paulo que até então inédita na América Latina. Muitos disseram  que não seria possível porque  naquela época o carro dominava 100% da via pública. A situação era a seguinte: Você podia parar um carro na via pública o tempo que você quisesse, mas a cidade não tinha nenhum mobiliário urbano público para o cidadão sentar. Que cidade era essa que tratava o motorista como cidadão de primeira classe e pedestres como cidadãos de 5ª categoria?

Em 2013 o projeto saiu do papel e propomos com outros parceiros um projeto piloto que utilizava a vaga de 2 carros para construção de um espaço de convivência, de descanso, de encontro. Nasceu o primeiro Parklet da America Latina, instalado na esquina da rua Padre João Manuel esquina com a Av. Paulista,  uma intervenção  temporária para gerar uma experiência  sobre como se comportam as pessoas num equipamento que retirava uma vaga de carro na cidade em troca de áreas de convivência. Em pouquíssimo tempo descobrimos que o Parklet não tirava vaga de carros nas ruas, mas que os carros estavam retirando o espaço de 300, 400 pessoas por dia que utilizam estes equipamentos na rua. Descobrimos que a maioria dos usuários eram compostos por trabalhadores de baixa renda que faziam diversos  usos ao longo do dia, espaço para leitura, para almoçar, para encontrar amigos, para descanso de idosos, entre outros usos. Trabalhadores que antes utilizavam as muretas de vasos de plantas da Av. Paulista.

A evolução do Parklet

O Parklet cumpriu sua função na cidade de São Paulo, e ainda é usado como política pública para discutir o uso do solo com mais equidade em diversos pontos da cidade, cabendo a sociedade civil discutir o uso destes equipamentos, fiscalizar e manifestar-se sobre sua ocupação, no entanto,   é preciso avançar nas políticas públicas urbanas permanentes para melhorar a vida do cidadão e estimular a mobilidade a pé.

Descobrimos que é possível utilizar este espaço da rua em benefício do cidadão, a retirada do estacionamento do carro não prejudicou o motorista nem o comerciante e não trouxe problemas de tráfego ou acidentes, pelo contrário, faz três anos que estes dispositivos são instalados na cidade de São Paulo e hoje em dia  são instalados em todo Brasil e América Latina.

É possível agora fazer a extensão das calçadas de forma definitiva, ampliar o espaço do pedestre, instalar mobiliários urbanos definitivos, entre outras intervenções que melhoram não apenas a vida do pedestre, mas a paisagem urbana.

É preciso entender que o Parklet foi uma discussão sobre o uso de espaços públicos, mas agora em São Paulo  é preciso avançar em soluções permanentes, todas as cidades que desenvolvem políticas de parklet precisam entender a necessidade de avançar em políticas permanentes para favorecer o pedestre. É fato que políticas que estimulam a caminhada a pé, a fruição e a permanência das pessoas nos espaços públicos melhoram a segurança pública e a dinâmica da cidade.

Pesquisa de caminhabilidade com deficientes visuais

Caminhabilidade é o estudo do porque as pessoas caminham ou deixam de caminhar num determinado local. Existem diversas questões relacionadas com o incentivo a mobilidade a pé como por exemplo as condições da infraestrutura física. Há outras questões ligadas a outros fatores como familiaridade, percepção de segurança, afetividade entre outras questões mais subjetivas. Muita vezes a avaliação da caminhabilidade é empobrecida pela capacidade que temos em apenas observar as questões mais objetivas, técnicas etc.  Os deficientes visuais percebem a cidade de outra forma, que valoriza outros sentidos e formas de perceber a cidade. A cidade é complexa para quem consegue enxergar, mas os deficientes visuais conseguiram desenvolver outros sentidos que ajudam na sua compreensão da cidade, mais rica em percepções. O ruído, o vento, o cheiro, áreas abertas,  são as bases de como eles constroem  a sua realidade na cidade.

Na próxima quarta-feira 20 de julho iremos fazer uma caminhada com deficientes visuais, esta experiência faz parte dos nossos estudos sobre caminhabilidade e queremos aprender com os deficientes visuais a perceber a cidade de uma outra forma.

A caminhada é aberta para o público , quem quiser participar é só chegar

encontro , quarta-feira as 9h as 12h
Local : Parklet da rua Pe João Manuel , esquina com a av. Paulista ( ao lado do conjunto Nacional).
Procurar Giulia

contato@mobilidadeverde.org

 

 

Instituto Mobilidade Verde e Swissnex Brazil

SWISS BRAZIL

No sábado, dia 7 de maio, o IMV participou do workshop de soluções para a cidade promovido pela Swissnex Brazil, uma empresa suiça público-privada focada em educação pesquisa e inovação. A empresa contatou um grande grupo de especialistas em transporte e poluição, bikeativistas e interessados em geral para discutir formas de aplicar no Brasil o projeto de pesquisa suíço chamado BeMap.

O projeto, desenvolvido por universitários da EPFL – Ecole Polytechnique Fédérale de Lausanne –  consiste em um sensor projetado para bicicletas que é capaz de medir o nível de poluição dos trajetos que o ciclista percorre e criar, em código aberto, um índice de poluição de acordo com o trajeto percorrido.

Numa escala de verde a vermelho – que pode ser regulada de acordo com os níveis de medição de poluição de cada cidade – o ciclista faz seu percurso e consegue criar um mapeamento automático da poluição dentro dos percursos feitos, apenas por meio de uma conexão USB do sensor a um computador que contenha o mapa da cidade carregado.

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O projeto, da forma que foi desenvolvido, abre a possibilidade de melhorar os percursos de ciclovias existentes, deslocando os projetos de ciclovias para áreas menos poluídas com o auxílio direto dos próprios ciclistas, que podem compartilhar e comparar melhores rotas para sua saúde, ficando menos expostos a áreas mais poluídas.

Como parte da discussão do projeto no Brasil, o grupo Swissnex Brazil propôs uma atividade anterior ao workshop. Reuniu ciclistas interessados e forneceu 10 sensores a eles para que fizessem o teste da ferramenta em alguns percursos de ciclovias do Municipio de São Paulo. Os percursos escolhidos foram pensados para todas as regiões da cidade – Norte, Sul, Leste Oeste – e para os 3 períodos do dia – manhã, tarde e noite.

Por falta de quórum as medições acabaram sendo feitas apenas em ciclovias centrais – marginal Pinheiros e centro velho – mas já puderam dar uma pequena amostra da poluição a qual se está exposto nestes percursos de ciclovias. Demostrou-se, não em nível de pesquisa, mas de teste, que não apenas o ciclista, mas também os pedestres estão bastante expostos a poluição nestes trechos. No entanto, o mais interessante foi perceber que os motoristas de automóveis particulares são os que, de longe, estão mais expostos aos malefícios da poluição, já que, por proposta do IMV, a Swissnex Brazil também distribuiu 2 sensores para motoristas de taxi, que fizeram parte da amostragem.

O resultado dos dados e mapas da amostragem não pôde ser utilizados no workshop de discussão como base numérica, mas ajudaram na reflexão do grupo de que os danos da poluição podem nos afetar fortemente mesmo quando pensamos que estamos protegidos dentro do automóvel.

Depois do workshop de discussão, que contou com técnicos do ITDP, CET, ONGS, coletivos e ciclistas, o IMV agora vai em busca de como podemos nos apropriar no Brasil, a começar por São Paulo, deste sensor e dessa tecnologia suíça que, mesmo em fase de teste, já demonstra que pode ser uma ferramenta importante no processo de mudança cultural e política no que diz respeito a troca dos modais motorizados de transporte pelos não motorizados. Essa mudança é urgente e com certeza todos temos a ganhar com ela, começando com o que nos é essencial, nossa saúde.

por Letticia Rey

Instituto Mobilidade Verde está na cidade de Portland – EUA, estudando os Jardins de Chuva

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Portland tem desenvolvido projetos urbanos para melhorar a qualidade da água do rio que corta a cidade  ao mesmo tempo que controla os riscos de  inundação e a  integração:  microdrenagem e  paisagem urbana.

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Em 2005 a prefeitura e a Universidade de Portand instalaram o projeto Green Street no centro da cidade. Trata-se de uma intervenção urbana inovadora, eles desenvolveram um conjunto de jardins de chuva projetados para capturar e infiltrar aproximadamente 8.000 m² de escoamento de agua da chuva. A instalação do projeto priorizou o espaço dos pedestres. O projeto tem demonstrado que áreas fortemente urbanizadas podem receber projetos de microdrenagem urbana com benefícios ambientais sem interferir na paisagem urbana.

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Os jardins de chuva são coletores de águas pluviais superficiais, a água da chuva é interceptada antes de cair na boca de lobo e ir para as galerias. Hoje toda água da chuva vai diretamente para as galerias e transportadas até os pontos de lançamento, ou seja, para os rios da cidade ou para as bacias de amortecimento ( piscinões).  O Jardim de chuva  intercepta a água antes de chegar na boca de lobo, a agua é acumulada num jardim que recebe um tratamento com pedra, cascalho, areia etc… que filtra a água  e permite a infiltração da água no solo a uma taxa de  20 cm  de água por hora. Os jardins de chuva recebem a água da sarjeta e do passeio de pedestre, eles estão interconectados, desta forma, dependendo da intensidade da chuva o excedente é enviado para o proximo jardim e assim sucessivamente.  A quantidade de água e infiltração  vai depender da profundidade e tamanho do jardim.

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Os jardins de chuva são utilizados como Traffic Calming, ajudam nas travessias de pedestres, ilhas de canalização de fluxo de veículos…

O Instituto Mobilidade Verde juntamente com o Engenheiro especializado em recursos hídricos Guilherme Castagna , estão desenvolvendo o primeiro projeto de jardins de chuva na via pública, o objetivo é ajudar o  de São Paulo regulamentar os jardins de chuva como um instrumento urbanístico da cidade e contribuir com  o sistema de micro-drenagem , paisagem urbana e qualidade de vida dos cidadãos.

12644755_10201253915266350_7761164493617622340_nLincoln Paiva / Presidente do Instituto Mobilidade Verde

Caderno especial do Estado de São Paulo destaca opinião do Instituto Mobilidade Verde sobre importância de andar a pé

Reportagem especial do Jornal Estado de São Paulo de hoje, Aniversário de SP, onde destaco a importância do pedestre na cidade , sem uma política para diminuir a hostilidade ao pedestre, jamais teremos qualidade de vida que merecemos…

“O ambientalista Lincoln Paiva, presidente do Instituto Mobilidade Verde, também defende que é preciso pensar a mobilidade do ponto de vista do pedestre. Para ele, as pessoas só vão gostar de andar a pé se a cidade deixar de ser hostil ao pedestre. “As pessoas têm medo de andar na rua. Faltam árvores, temos ilhas de calor espalhadas pela cidade, as travessias não são facilitadas. Faltam lugares para que as pessoas possam sentar e descansar”, explica.

Para ele, a implementação de mais ciclovias também conversa com isso. “Em geral se acha que elas são importantes só para o ciclista, mas são para o pedestre. Onde há uma ciclovia, a cidade fica mais calma, porque a velocidade dos carros diminui. E ter mais gente andando na rua deixa também a cidade mais segura.”

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