Portland Study Group – Missão técnica de planejamento e mobilidade urbana

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Grupo de Estudo Portland Portland Study Group Desenvolvimento Urbano, Mobilidade e Espaços Públicos 23 a 30 de julho de 2017

Portland –Oregon / Seattle – Washington

Contexto da Mobilidade das cidades Brasileiras

A delegação técnica  é composta por um grupo de interessados em boas práticas mundiais  em urbanismo e mobilidade urbana, nasceu da importância de discutir novas abordagem sobre o urbanismo e novos  modelos mais sustentáveis para a  mobilidade urbana. Está claro que a forma como as cidades foram planejadas não escondem mais  a uma realidade devastadora:  estamos perdendo qualidade de vida e aumentando o tempo que  nos separa das cidades  mais desenvolvidas. É primordial que nossos planejadores, legisladores, empresários, condutores da política municipal, estadual e federal, bem como empresários e os representantes da sociedade civil entendam  o papel da nova gestão de Mobilidade Urbana, cujo propósito  é atender a atividade  mais básica dos seres humanos que é a sua capacidade de ir e vir. Essa capacidade vem sendo comprometida a cada dia e sequestrando nossa qualidade de vida.   Meios  de  transportes eficazes são fundamentais para o funcionamento das cidades e quase que um requisito para a prosperidade econômica e bem estar dos seus habitantes em qualquer lugar do mundo. Ao mesmo tempo, os benefícios econômicos do setor de transportes são freqüentemente  acompanhados por efeitos secundários negativos, tais como congestionamentos,  exclusão social, acidentes, poluição atmosférica e consumo de energia. O objetivo da missão técnica para Portland é conhecer novas visões de planejamento urbano e de mobilidade urbana voltada para cidades mais humanas e sustentáveis.

Maiores informações: contato@greenmobility.com.br
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Performance urbana discute o espaço do corpo na construção do lugar em Hong Kong

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Alunos de Mestrado da Universidade Politécnica de Hong Kong

 

O projeto foi realizado através de uma cooperação entre Instituto Mobilidade Verde e alunos de mestrado da Universidade Politécnica de Hong Kong para criar intervenção urbana com o objetivo de  discutir a função do corpo na construção do lugar pelas ruas de Hong Kong, China.

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O objetivo da performance era explorar lugares de Hong Kong  através do  corpo, ou seja,  como podemos através do corpo re-significar lugares? Como podemos construir novos lugares  a partir da presença do nosso corpo? Qual a relação entre corpo e lugar? Como a partir da experiência do corpo, do lugar podemos desenhar espaços urbanos melhores?

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A idéia inicial era apenas ocupar lugares com o corpo em pontos estratégicos da cidade, trazer a dimensão humana para estes espaços de forma que o corpo pudesse interagir com o cotidiano das pessoas. Um corpo imóvel em lugares de alta fruição, traz que tipo de desconforto? A cidade tem espaço para áreas de contemplação?  Durante o processo de planejamento no local foram incorporados outros elementos de discussão: com a verticalização e o excesso de obstrução na paisagem natural , Hong Kong cria limitação de espaços onde as pessoas podem enxergar o céu.

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Por uma política de microintervenções urbanas nas cidades

O Parklet materializou  a discussão inicial sobre o uso do espaço público

No final de  2012, junto com outros parceiros, propomos uma microintervenção urbana na cidade  de São Paulo que até então inédita na América Latina. Muitos disseram  que não seria possível porque  naquela época o carro dominava 100% da via pública. A situação era a seguinte: Você podia parar um carro na via pública o tempo que você quisesse, mas a cidade não tinha nenhum mobiliário urbano público para o cidadão sentar. Que cidade era essa que tratava o motorista como cidadão de primeira classe e pedestres como cidadãos de 5ª categoria?

Em 2013 o projeto saiu do papel e propomos com outros parceiros um projeto piloto que utilizava a vaga de 2 carros para construção de um espaço de convivência, de descanso, de encontro. Nasceu o primeiro Parklet da America Latina, instalado na esquina da rua Padre João Manuel esquina com a Av. Paulista,  uma intervenção  temporária para gerar uma experiência  sobre como se comportam as pessoas num equipamento que retirava uma vaga de carro na cidade em troca de áreas de convivência. Em pouquíssimo tempo descobrimos que o Parklet não tirava vaga de carros nas ruas, mas que os carros estavam retirando o espaço de 300, 400 pessoas por dia que utilizam estes equipamentos na rua. Descobrimos que a maioria dos usuários eram compostos por trabalhadores de baixa renda que faziam diversos  usos ao longo do dia, espaço para leitura, para almoçar, para encontrar amigos, para descanso de idosos, entre outros usos. Trabalhadores que antes utilizavam as muretas de vasos de plantas da Av. Paulista.

A evolução do Parklet

O Parklet cumpriu sua função na cidade de São Paulo, e ainda é usado como política pública para discutir o uso do solo com mais equidade em diversos pontos da cidade, cabendo a sociedade civil discutir o uso destes equipamentos, fiscalizar e manifestar-se sobre sua ocupação, no entanto,   é preciso avançar nas políticas públicas urbanas permanentes para melhorar a vida do cidadão e estimular a mobilidade a pé.

Descobrimos que é possível utilizar este espaço da rua em benefício do cidadão, a retirada do estacionamento do carro não prejudicou o motorista nem o comerciante e não trouxe problemas de tráfego ou acidentes, pelo contrário, faz três anos que estes dispositivos são instalados na cidade de São Paulo e hoje em dia  são instalados em todo Brasil e América Latina.

É possível agora fazer a extensão das calçadas de forma definitiva, ampliar o espaço do pedestre, instalar mobiliários urbanos definitivos, entre outras intervenções que melhoram não apenas a vida do pedestre, mas a paisagem urbana.

É preciso entender que o Parklet foi uma discussão sobre o uso de espaços públicos, mas agora em São Paulo  é preciso avançar em soluções permanentes, todas as cidades que desenvolvem políticas de parklet precisam entender a necessidade de avançar em políticas permanentes para favorecer o pedestre. É fato que políticas que estimulam a caminhada a pé, a fruição e a permanência das pessoas nos espaços públicos melhoram a segurança pública e a dinâmica da cidade.

Pesquisa de caminhabilidade com deficientes visuais

Caminhabilidade é o estudo do porque as pessoas caminham ou deixam de caminhar num determinado local. Existem diversas questões relacionadas com o incentivo a mobilidade a pé como por exemplo as condições da infraestrutura física. Há outras questões ligadas a outros fatores como familiaridade, percepção de segurança, afetividade entre outras questões mais subjetivas. Muita vezes a avaliação da caminhabilidade é empobrecida pela capacidade que temos em apenas observar as questões mais objetivas, técnicas etc.  Os deficientes visuais percebem a cidade de outra forma, que valoriza outros sentidos e formas de perceber a cidade. A cidade é complexa para quem consegue enxergar, mas os deficientes visuais conseguiram desenvolver outros sentidos que ajudam na sua compreensão da cidade, mais rica em percepções. O ruído, o vento, o cheiro, áreas abertas,  são as bases de como eles constroem  a sua realidade na cidade.

Na próxima quarta-feira 20 de julho iremos fazer uma caminhada com deficientes visuais, esta experiência faz parte dos nossos estudos sobre caminhabilidade e queremos aprender com os deficientes visuais a perceber a cidade de uma outra forma.

A caminhada é aberta para o público , quem quiser participar é só chegar

encontro , quarta-feira as 9h as 12h
Local : Parklet da rua Pe João Manuel , esquina com a av. Paulista ( ao lado do conjunto Nacional).
Procurar Giulia

contato@mobilidadeverde.org

 

 

Instituto Mobilidade Verde e Swissnex Brazil

SWISS BRAZIL

No sábado, dia 7 de maio, o IMV participou do workshop de soluções para a cidade promovido pela Swissnex Brazil, uma empresa suiça público-privada focada em educação pesquisa e inovação. A empresa contatou um grande grupo de especialistas em transporte e poluição, bikeativistas e interessados em geral para discutir formas de aplicar no Brasil o projeto de pesquisa suíço chamado BeMap.

O projeto, desenvolvido por universitários da EPFL – Ecole Polytechnique Fédérale de Lausanne –  consiste em um sensor projetado para bicicletas que é capaz de medir o nível de poluição dos trajetos que o ciclista percorre e criar, em código aberto, um índice de poluição de acordo com o trajeto percorrido.

Numa escala de verde a vermelho – que pode ser regulada de acordo com os níveis de medição de poluição de cada cidade – o ciclista faz seu percurso e consegue criar um mapeamento automático da poluição dentro dos percursos feitos, apenas por meio de uma conexão USB do sensor a um computador que contenha o mapa da cidade carregado.

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O projeto, da forma que foi desenvolvido, abre a possibilidade de melhorar os percursos de ciclovias existentes, deslocando os projetos de ciclovias para áreas menos poluídas com o auxílio direto dos próprios ciclistas, que podem compartilhar e comparar melhores rotas para sua saúde, ficando menos expostos a áreas mais poluídas.

Como parte da discussão do projeto no Brasil, o grupo Swissnex Brazil propôs uma atividade anterior ao workshop. Reuniu ciclistas interessados e forneceu 10 sensores a eles para que fizessem o teste da ferramenta em alguns percursos de ciclovias do Municipio de São Paulo. Os percursos escolhidos foram pensados para todas as regiões da cidade – Norte, Sul, Leste Oeste – e para os 3 períodos do dia – manhã, tarde e noite.

Por falta de quórum as medições acabaram sendo feitas apenas em ciclovias centrais – marginal Pinheiros e centro velho – mas já puderam dar uma pequena amostra da poluição a qual se está exposto nestes percursos de ciclovias. Demostrou-se, não em nível de pesquisa, mas de teste, que não apenas o ciclista, mas também os pedestres estão bastante expostos a poluição nestes trechos. No entanto, o mais interessante foi perceber que os motoristas de automóveis particulares são os que, de longe, estão mais expostos aos malefícios da poluição, já que, por proposta do IMV, a Swissnex Brazil também distribuiu 2 sensores para motoristas de taxi, que fizeram parte da amostragem.

O resultado dos dados e mapas da amostragem não pôde ser utilizados no workshop de discussão como base numérica, mas ajudaram na reflexão do grupo de que os danos da poluição podem nos afetar fortemente mesmo quando pensamos que estamos protegidos dentro do automóvel.

Depois do workshop de discussão, que contou com técnicos do ITDP, CET, ONGS, coletivos e ciclistas, o IMV agora vai em busca de como podemos nos apropriar no Brasil, a começar por São Paulo, deste sensor e dessa tecnologia suíça que, mesmo em fase de teste, já demonstra que pode ser uma ferramenta importante no processo de mudança cultural e política no que diz respeito a troca dos modais motorizados de transporte pelos não motorizados. Essa mudança é urgente e com certeza todos temos a ganhar com ela, começando com o que nos é essencial, nossa saúde.

por Letticia Rey